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Polícia Federal investiga trend violenta do TikTok chamada “Caso ela diga não”

Vídeos simulam agressões contra mulheres após rejeição e provocam reação do governo e do Congresso

Uma nova tendência que circula no TikTok passou a ser investigada pela Polícia Federal do Brasil após a divulgação de vídeos que simulam agressões contra mulheres. Conhecida como “Caso ela diga não” ou “Treinando caso ela diga não”, a trend mostra homens encenando reações violentas após receber uma resposta negativa em situações de abordagem romântica.

O caso ganhou grande repercussão nas últimas semanas e levou a Diretoria de Crimes Cibernéticos da polícia a iniciar uma ação para identificar e derrubar perfis responsáveis pela publicação dos conteúdos.

O que é a trend “Treinando caso ela diga não”

Nos vídeos que compõem a trend, criadores simulam cenários como pedidos de namoro ou casamento. Em seguida, a gravação apresenta a frase “treinando caso ela diga não”, indicando uma suposta preparação para lidar com uma rejeição.

Logo depois da frase, surgem encenações de violência, que incluem:

  • simulação de socos
  • golpes com faca
  • disparos fictícios
  • gestos agressivos direcionados a mulheres

Esse tipo de conteúdo tem sido classificado como apologia à violência contra mulheres, o que gerou forte reação nas redes sociais e entre autoridades.

Vídeos alcançam milhares de visualizações

Uma análise feita pelo portal g1 avaliou 20 vídeos publicados entre 2023 e 2025 no TikTok.

O levantamento identificou que algumas contas envolvidas na trend chegam a 177 mil seguidores e acumulam mais de 175 mil interações, o que demonstra o alcance significativo desse tipo de conteúdo.

A repercussão ocorre em um momento de aumento de casos de Feminicídio no Brasil. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil apontam que cerca de 1.470 mulheres foram assassinadas em 2025, média de quatro casos por dia e o maior número registrado desde a tipificação do crime em 2015.

Câmara dos Deputados e PGR também acompanham o caso

O assunto chegou à Câmara dos Deputados do Brasil durante reunião da Comissão de Segurança Pública.

O deputado Pedro Campos apresentou um requerimento solicitando que a Procuradoria-Geral da República do Brasil investigue a disseminação da trend.

Segundo o parlamentar, a responsabilização não deve atingir apenas quem publica os vídeos.

Ele afirmou que também é necessário analisar o papel das plataformas digitais na circulação desses conteúdos e avaliar quais medidas estão sendo adotadas para impedir a propagação de material violento.

Governo federal também abriu investigação

A Advocacia-Geral da União solicitou a abertura de inquérito para investigar a circulação dos vídeos.

O pedido foi encaminhado no dia 8 de março, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher.

Segundo o procurador Raphael Ramos, os conteúdos divulgados representam uma ameaça concreta aos direitos das mulheres, além de prejudicar políticas públicas voltadas à proteção desse grupo.

TikTok removeu vídeos, mas governo quer mais explicações

Procurado sobre o caso, o TikTok informou que removeu conteúdos relacionados à trend após identificar violações das diretrizes da comunidade.

Mesmo assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil enviou um ofício à empresa solicitando esclarecimentos adicionais.

O governo pediu que a plataforma apresente, em até cinco dias:

  • detalhes sobre sistemas automatizados de moderação
  • medidas para detectar tendências com conteúdo ilegal
  • informações sobre eventual monetização dos vídeos removidos
  • explicações sobre algoritmos de recomendação que podem ter impulsionado a trend

A investigação segue em andamento e deve analisar tanto a responsabilidade dos criadores dos conteúdos quanto o papel das plataformas digitais na circulação dessas publicações.