
Em 2022, imagens de satélite divulgadas pelo site USNI News — veículo ligado à Marinha dos Estados Unidos — revelaram que a Rússia passou a treinar golfinhos com o objetivo de proteger a base naval de Sevastopol, localizada no Mar Negro. O episódio ocorreu logo no início da invasão russa à Ucrânia e chamou atenção de especialistas em defesa naval.
Criadouros foram instalados na entrada do porto
As imagens analisadas identificaram dois criadouros de golfinhos bem à frente do Porto de Sevastopol, onde a Marinha russa mantém uma de suas principais bases de navios militares. Segundo H. I. Sutton, especialista em submarinos consultado pelo USNI, eles transferiram os animais para o local em fevereiro daquele ano — justamente no período em que a invasão à Ucrânia começou. Para o analista, o Kremlin definiu diretamente a estratégia, já que a base ocupa uma posição extremamente relevante do ponto de vista geoestratégico.
Um sonar natural mais eficaz que a tecnologia
De acordo com Sutton, os golfinhos poderiam enfrentar mergulhadores ucranianos que tentassem invadir o porto para sabotar embarcações de guerra.. Vale lembrar que tanto a Rússia quanto os Estados Unidos treinam cetáceos para esse tipo de função há décadas.
Segundo registros históricos, a Marinha norte-americana adotou essa estratégia já em 1960, utilizando golfinhos e leões-marinhos na proteção de áreas estratégicas contra ameaças submarinas. Isso ocorre porque, segundo Sutton, esses animais possuem um dos sistemas de sonar mais sofisticados conhecidos pela ciência — capacidade que, na prática, facilita a localização de minas e outros objetos de risco que sonares eletrônicos comuns não conseguem detectar.
Uma estratégia que remonta à era soviética
Originalmente, a União Soviética já utilizava a base de Sevastopol para treinar mamíferos marinhos com fins militares. Contudo, após o fim da URSS, a Ucrânia passou a administrar a instalação e reaproveitou o espaço para treinar os animais em sessões de terapia. A situação mudou, no entanto, em 2014: quando a Rússia anexou a Crimeia, retomou a base de Sevastopol e voltou a realizar o treinamento militar de animais marinhos.
Outro episódio curioso reforça esse histórico. Em 2019, uma baleia-branca equipada com um arreio foi encontrada no litoral da Noruega, o que levou especialistas a suspeitar que o animal pudesse ter feito parte de programas de treinamento naval ligados à Rússia.
Conflito permaneceu concentrado em terra
Até aquele momento, é importante destacar que a Ucrânia não havia demonstrado intenção de conduzir confrontos militares no mar, optando por manter o combate concentrado em terra. Ainda assim, alguns especialistas consideram que a utilização de animais treinados pode ser um método eficaz para proteção de instalações militares estratégicas.



