Quinta-feira, Fevereiro 26, 2026
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Inteligência artificial revoluciona a criação de medicamentos

Female scientist and AI robot working together in the science lab

Tecnologia reduz anos de pesquisa e transforma a medicina moderna

A inteligência artificial redefine a descoberta de medicamentos e, além disso, acelera processos que antes consumiam décadas. Atualmente, laboratórios utilizam algoritmos avançados para analisar dados complexos e, consequentemente, identificar compostos promissores em menos tempo. Portanto, a ciência avança com mais precisão, menos desperdício e maior eficiência.

Segundo o Grupo Roche, cerca de 90% dos candidatos a medicamentos fracassam nos testes pré-clínicos ou clínicos. Além disso, o desenvolvimento de uma nova substância pode ultrapassar dez anos. Diante desse cenário, empresas farmacêuticas adotam IA para reduzir falhas, otimizar investimentos e acelerar resultados.

IA na medicina vai além dos diagnósticos

Hoje, hospitais utilizam IA para analisar exames, apoiar cirurgias robóticas e prever surtos epidemiológicos. Ao mesmo tempo, algoritmos de machine learning identificam padrões em milhões de prontuários em segundos.

Além disso, pesquisadores aplicam IA no design de anticorpos, na previsão da atividade de pequenas moléculas e na identificação de novos antibióticos. Dessa forma, a tecnologia organiza grandes volumes de dados e direciona decisões estratégicas com mais segurança.

Como a IA atua na descoberta de fármacos

Cientistas utilizam simulações digitais para prever como substâncias interagem com proteínas do corpo humano. Em vez de testar milhares de compostos fisicamente, equipes priorizam moléculas promissoras por meio de triagens virtuais.

Consequentemente, a IA participa de todas as fases do ciclo de vida de um medicamento: pesquisa inicial, testes clínicos, monitoramento pós-lançamento e até processos de fabricação. Assim, a indústria farmacêutica ganha velocidade e reduz custos estruturais.

Modelagem molecular e laboratório em loop

Algoritmos analisam estruturas de proteínas e calculam como pequenas moléculas podem bloquear doenças. Esse processo, conhecido como modelagem molecular, cria representações tridimensionais que aumentam a precisão desde as fases iniciais.

Além disso, o conceito de “laboratório em loop” fortalece essa dinâmica. Aviv Regev, da Genentech Research and Early Development (gRED), explica que pesquisadores utilizam IA generativa para aprender com dados clínicos, gerar previsões e testar novamente os resultados. Portanto, cada ciclo amplia a assertividade científica.

Métodos tradicionais versus inteligência artificial

Tradicionalmente, cientistas dependem de testes manuais e repetitivos. Como resultado, o desenvolvimento pode levar mais de uma década.

Por outro lado, a IA realiza triagens virtuais em larga escala e elimina compostos ineficazes nos primeiros dias de projeto. Além disso, modelos preditivos aumentam a segurança antes da fase clínica e reduzem riscos financeiros.

Enquanto o método convencional exige altos investimentos e enfrenta elevado índice de falha, a abordagem baseada em dados entrega maior previsibilidade.

Impacto direto no tempo e nos custos

A inteligência artificial elimina tarefas repetitivas na seleção de moléculas. Dessa maneira, empresas economizam bilhões de dólares ao longo do desenvolvimento.

Além disso, a redução de custos amplia a viabilidade de tratamentos para doenças raras. Portanto, o ecossistema de inovação médica se torna mais acessível e sustentável.

Medicina personalizada ganha força

A IA também fortalece a medicina de precisão. Ao analisar o DNA de cada paciente, algoritmos indicam medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

Consequentemente, médicos personalizam tratamentos com base em dados genômicos individuais. Assim, pacientes recebem terapias mais adequadas ao próprio organismo.

Casos reais que comprovam o avanço

Alguns exemplos já demonstram resultados concretos.

O Rentosertib (ISM001-055) avançou no tratamento da Fibrose Pulmonar Idiopática e reduziu para 18 meses o intervalo entre identificação do alvo e candidato pré-clínico.

Já a Halicina (Halicin) surgiu após análise de aproximadamente 1,5 bilhão de compostos em poucos dias, o que acelerou a busca por antibióticos contra bactérias resistentes.

Além disso, durante o Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial, Fiona Marshall, da Novartis, apresentou avanços no tratamento da DRPAD. A equipe utilizou modelos celulares digitais, testou milhares de genes e selecionou cinco alvos promissores em menos de um ano.

Benefícios e limitações

A IA amplia a inovação em escala global. No entanto, equipes científicas mantêm supervisão constante e validam cada descoberta com testes rigorosos.

Atualmente, especialistas não substituem julgamento clínico por algoritmos. Em vez disso, profissionais utilizam tecnologia como ferramenta estratégica de apoio.

Desafios regulatórios e segurança de dados

Órgãos como a Food and Drug Administration e a Agência Europeia de Medicamentos estabeleceram diretrizes para orientar o uso de IA no setor. Entre os princípios, destacam-se foco no ser humano, governança de dados, avaliação contínua e rigor científico.

Além disso, empresas precisam proteger dados genéticos contra vazamentos. Afinal, qualquer falha de segurança pode comprometer pesquisas e afetar pacientes.

A nova era da ciência médica

A inteligência artificial deixou de representar promessa futura e passou a integrar o cotidiano dos principais centros de pesquisa. Embora desafios éticos e custos iniciais ainda existam, os benefícios superam barreiras históricas.

Portanto, a IA consolida um novo capítulo na medicina e impulsiona descobertas que antes pareciam impossíveis.

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