
Governo federal aumenta taxação sobre mais de 1.000 produtos importados e consumidores devem sentir efeito nos preços, especialmente de smartphones.
O governo federal aumentou, no início de fevereiro, o imposto de importação de mais de 1.000 produtos, incluindo máquinas industriais, equipamentos de informática, eletrônicos e celulares. Dessa forma, a medida busca reduzir a dependência de produtos importados e, ao mesmo tempo, estimular a produção nacional.
Motivos do aumento do imposto
Segundo o Ministério da Fazenda, os produtos importados representam aproximadamente 45% do consumo em máquinas e equipamentos e mais de 50% no setor de informática e telecomunicações. Portanto, o governo decidiu elevar a alíquota para equilibrar os preços entre itens nacionais e importados. Além disso, a medida deve incentivar novos investimentos na indústria brasileira.
A atualização do imposto também alinha o Brasil às práticas internacionais, já que outros países adotam medidas semelhantes para proteger suas indústrias. Além disso, a elevação começou a valer para alguns produtos e passará a vigorar integralmente a partir de março.
O governo manteve exceções para produtos sem produção nacional. Nesse caso, as empresas podem solicitar redução temporária da alíquota até 31 de março. Assim, a medida deve aumentar a arrecadação federal em cerca de R$ 14 bilhões em 2026.
Produtos mais afetados pela taxação
A Resolução Nº 852 de 4 de fevereiro de 2026, do Gecex-Camex, definiu as alíquotas para eletrônicos e acessórios. Entre os principais itens, destacam-se:
- Placa-mãe: 12,6%
- Placa de vídeo (GPU): 12,6%
- Processadores (CPU): 7,2%
- Memória RAM (SRAM): 7,2%
- Circuitos chipset: 7,2%
- Cigarros eletrônicos: 12,6%
- Câmeras: 20%
- Impressoras de tinta líquida: 12,6%
- Smartphones: 20%
- Mouse e trackball: 12,6%
- Cartuchos de tinta e toners: 7,2%
- Mesas digitalizadoras: 12,6%
Além disso, outros produtos importados podem receber aumentos adicionais dependendo da avaliação da Receita Federal.
Impacto nos celulares
Especialistas afirmam que o aumento deve elevar os preços dos smartphones importados entre 15% e 20%. Por exemplo, um aparelho que custava R$ 1.000 pode chegar a R$ 1.200.
Marcas com produção nacional, como Samsung, Motorola e Realme, não devem sentir efeito imediato; entretanto, como dependem de componentes importados, os preços podem subir a médio prazo. Já marcas sem fábrica no Brasil, como Honor, sentirão aumento imediato nos custos.
Segundo Arthur Igreja, especialista em tecnologia, a elevação do imposto desestimula a troca de aparelhos pelos consumidores. Assim, os modelos antigos permanecem no mercado e o país fica atrás na modernização tecnológica.
Além disso, o advogado Julio Garcia Morais, do escritório Lopes Muniz Advogados, ressalta que a medida não protege a indústria nacional, prejudica o consumidor e pode gerar retaliação comercial dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Portanto, os consumidores devem planejar suas compras de eletrônicos e celulares nos próximos meses, considerando a elevação dos preços e a possível escassez de modelos importados.



