Ataques DDoS ficam mais sofisticados com uso de IA; Brasil concentra maior volume na América Latina

Relatório aponta crescimento global e revela que país sofreu mais de 470 mil ataques em seis meses
A NETSCOUT divulgou seu Relatório de Inteligência de Ameaças sobre ataques de Negação de Serviço Distribuídos (DDoS), com dados referentes ao segundo semestre de 2025. O levantamento mostra aumento expressivo no número de ocorrências e, além disso, indica uma evolução significativa na complexidade das ofensivas digitais.
De acordo com os pesquisadores, a expansão da infraestrutura de dispositivos IoT e a profissionalização do cibercrime explicam parte desse avanço. Atualmente, criminosos contratam serviços sob demanda para estruturar ataques mais eficientes. Ao mesmo tempo, eles adotam ferramentas de inteligência artificial e botnets coordenadas para ampliar o impacto e dificultar a detecção.
Mais de 8 milhões de ataques em seis meses
O relatório contabilizou mais de 8 milhões de ataques DDoS em 203 países apenas na segunda metade de 2025. Em alguns casos extremos, as ofensivas atingiram picos de 30 Tbps por segundo, volume capaz de derrubar grandes infraestruturas digitais.
Dentro desse cenário, o Brasil aparece como o principal alvo na América Latina. O país registrou mais de 470 mil ataques no período, o que representa quase metade dos pouco mais de 1 milhão de incidentes identificados em toda a região.
Ataques combinam múltiplos vetores
Os especialistas observaram que cerca de 42% das ofensivas utilizaram entre dois e cinco vetores simultâneos. Dessa forma, os criminosos conseguem adaptar o ataque dinamicamente à rede da vítima, o que complica a resposta das equipes de segurança.
Além disso, julho de 2025 registrou aumento de 20 mil ataques impulsionados por botnets. Em operações coordenadas, essas redes sobrecarregaram sistemas de defesa e afetaram serviços críticos, como portais governamentais, instituições financeiras e plataformas de transporte.
Inteligência artificial acelera o cibercrime
Outro dado alarmante envolve o uso de IA em atividades criminosas. As menções a ferramentas de inteligência artificial cresceram 219% em fóruns da dark web, segundo o relatório. Muitos debates tratam da utilização dessas tecnologias para explorar vulnerabilidades com mais rapidez, automatizar processos e expandir botnets por meio de amplificação de banda larga.
Consequentemente, ataques se tornam mais precisos, escaláveis e difíceis de mitigar, o que pressiona empresas e governos a investir em soluções de defesa mais robustas.
Setores mais atingidos no Brasil
No ranking nacional, empresas de telecomunicações sem fio lideram como principais alvos, com 114.797 ataques registrados. Em seguida, aparecem infraestruturas de computação e hospedagem de serviços, com 47.897 ocorrências, e operadoras de telecomunicações com fio, com 34.051 ataques.
Além desses segmentos, o relatório aponta impactos relevantes no comércio atacadista de equipamentos de escritório, transporte rodoviário de cargas, instituições bancárias e organizações religiosas.
Cenário exige resposta estratégica
Diante desse avanço, especialistas reforçam a necessidade de estratégias preventivas mais sofisticadas. Investimentos em monitoramento contínuo, segmentação de rede e soluções de mitigação em tempo real ganham ainda mais relevância.
Assim, o relatório da NETSCOUT evidencia que a combinação entre IoT, botnets e inteligência artificial inaugura uma nova fase dos ataques DDoS — mais rápida, coordenada e potencialmente devastadora.



