Invenção

Japão aposta em balão estratosférico com 5G para desafiar a internet via satélite da Starlink

SoftBank e Sceye vão testar serviço pré-comercial com plataforma de alta altitude capaz de enviar sinal móvel a partir da estratosfera

O Japão está prestes a testar uma nova forma de levar conectividade móvel a áreas difíceis de atender. Em parceria com a americana *Sceye, a *SoftBank prepara o uso de um balão estratosférico capaz de transmitir sinal de 5G diretamente para a superfície, funcionando como uma espécie de estação de telecomunicações no céu.

A operação faz parte do plano da operadora japonesa para lançar serviços pré-comerciais de HAPS no país em 2026. A proposta é usar a tecnologia tanto para ampliar a cobertura de rede quanto para restaurar comunicações em situações de desastre, como terremotos e interrupções severas da infraestrutura terrestre.

Balão da Sceye vai operar como “torre de celular” na estratosfera

O equipamento usado no projeto é um balão de grande porte desenvolvido pela Sceye. A plataforma pertence à categoria HAPS — sigla em inglês para High Altitude Platform Station, ou estação de plataforma de alta altitude.

Na prática, esse tipo de estrutura funciona como uma base de telecomunicações posicionada na estratosfera, muito acima de torres convencionais e abaixo da órbita dos satélites. No caso da Sceye, o veículo é sustentado por hélio e foi projetado para permanecer por longos períodos em altitudes próximas de 20 quilômetros.

Segundo a SoftBank, a versão da Sceye mede cerca de 65 metros de comprimento e foi pensada para oferecer conectividade aérea com cobertura ampla, menor latência e mais flexibilidade do que soluções tradicionais baseadas apenas em satélites.

Projeto quer levar 5G a áreas remotas e reforçar rede em desastres

A ideia da SoftBank não é substituir imediatamente as redes móveis convencionais, mas criar uma camada adicional de conectividade. Esse reforço pode ser útil em *regiões montanhosas, *ilhas remotas e, principalmente, em cenários de desastre natural, quando torres em solo podem ficar fora de operação.

Além disso, a empresa vê a tecnologia como parte de uma infraestrutura voltada ao futuro da conectividade. A operadora japonesa afirma que o avanço do 6G e o crescimento do uso de drones e veículos aéreos não tripulados exigirão redes mais tridimensionais, capazes de atender não apenas quem está no solo, mas também equipamentos em voo.

HAPS fica mais perto do solo do que satélites e pode reduzir latência

Uma das principais vantagens apontadas para o HAPS está na posição em que ele opera. Como a plataforma fica muito mais próxima da superfície do que satélites de baixa órbita, o envio de sinal tende a exigir menos energia e pode oferecer menor latência em determinadas aplicações.

Esse fator ajuda a explicar por que empresas do setor têm apostado no modelo como complemento à infraestrutura atual. Em vez de depender exclusivamente de satélites ou antenas terrestres, o HAPS surge como uma camada intermediária, capaz de cobrir áreas amplas e, ao mesmo tempo, manter comunicação direta com celulares e outros dispositivos.

Manter o balão estável na estratosfera é um dos maiores desafios

Apesar do potencial, a tecnologia também enfrenta obstáculos importantes. O principal deles é manter a plataforma no ponto certo por longos períodos, mesmo com a influência de correntes de ar em grandes altitudes.

Para lidar com isso, os modelos da Sceye usam uma combinação de estrutura ultraleve, painéis solares, baterias e sistemas de propulsão elétrica. A energia captada durante o dia alimenta os motores e os demais sistemas de bordo, permitindo corrigir a posição do balão e manter a operação estável na estratosfera.

SoftBank já trata a tecnologia como parte de sua rede do futuro

A parceria entre SoftBank e Sceye foi formalizada em 2025, quando a operadora japonesa anunciou investimento na empresa americana e garantiu direitos exclusivos para oferecer serviços baseados na plataforma da Sceye no Japão. Desde então, a companhia passou a tratar o HAPS como um dos pilares de sua estratégia de conectividade não terrestre.

O plano da operadora é integrar essa solução a uma arquitetura mais ampla, que combina redes móveis terrestres com sistemas não terrestres, como satélites e plataformas estratosféricas. Dessa forma, a empresa tenta construir uma infraestrutura mais resiliente e capaz de atender cenários em que as redes tradicionais não conseguem chegar com eficiência.

Projeto não substitui a Starlink, mas aponta para outra rota de conectividade

Embora a comparação com a Starlink seja inevitável, as duas propostas não são idênticas. A rede da SpaceX aposta em uma constelação de satélites de baixa órbita para oferecer internet em escala global. Já a solução da Sceye opera em uma camada mais baixa da atmosfera e pode ser usada como reforço regional, com foco em cobertura móvel, resposta a emergências e expansão da rede em locais estratégicos.

Por isso, o balão estratosférico não deve ser tratado como um “substituto direto” da Starlink neste momento. Ainda assim, o teste no Japão mostra que operadoras e empresas de infraestrutura continuam buscando alternativas para reduzir custos, ampliar cobertura e diversificar os caminhos da conectividade sem depender apenas de satélites.

Japão vira vitrine para nova disputa por internet no céu

e os testes avançarem como esperado, o Japão pode se tornar um dos primeiros mercados a colocar em prática um serviço pré-comercial de telecomunicações baseado em HAPS. Para a SoftBank, isso abre caminho para uma nova camada de rede voltada a emergências, áreas remotas e futuras aplicações do 6G.

Já para a Sceye, o projeto representa uma vitrine importante para provar que balões estratosféricos podem sair do campo experimental e se transformar em infraestrutura real de conectividade. Em um setor cada vez mais disputado por satélites, operadoras e soluções híbridas, o céu está virando um espaço estratégico para a próxima geração da internet móvel.