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YouTube faz acordo sigiloso em processo sobre vício infantil e evita novo julgamento nos EUA

Google tira a plataforma de ação que discute danos mentais em jovens, mas Instagram, TikTok e Snapchat ainda vão a tribunal na Califórnia

O YouTube fechou um acordo confidencial com um adolescente da Flórida que acusava a plataforma de ter contribuído para danos à sua saúde mental. As partes firmaram o acerto pouco antes de um novo julgamento sobre o impacto das redes sociais em crianças e adolescentes, marcado para começar em julho, na Califórnia

Com isso, o Google retira o YouTube de mais um caso sensível sobre vício em redes sociais, justamente em um momento em que cresce a pressão judicial sobre grandes plataformas digitais nos Estados Unidos.

Acordo tira o YouTube do processo antes do julgamento

O processo foi aberto na Justiça estadual da Califórnia e reunia quatro empresas: *YouTube, **Instagram, *Snapchat e *TikTok. O adolescente, identificado pelas iniciais **R.K.C., afirma que começou a usar redes sociais ainda criança e desenvolveu um padrão de uso compulsivo, com efeitos como *insônia, ansiedade e depressão.

Agora, com o acordo firmado pelo Google, o YouTube deixa a ação. Mesmo assim, as demais empresas continuam no processo e ainda devem enfrentar julgamento em Los Angeles a partir de 27 de julho.

Advogados veem acordo como tentativa de evitar o júri

A empresa não divulgou os termos do acordo. Em nota, o porta-voz do Google, José Castañeda, afirmou apenas que as partes resolveram a disputa de forma amigável e que a empresa segue focada em desenvolver produtos adequados para cada faixa etária, além de controles parentais.

Já os advogados do adolescente adotaram um tom mais duro. Segundo eles, a decisão do YouTube de encerrar o caso antes de enfrentar um júri “fala por si mesma”. Na prática, a defesa interpreta o movimento como uma forma de evitar uma nova exposição pública diante das acusações sobre design viciante.

Processo acusa plataformas de usar recursos pensados para gerar dependência

No centro da ação está a alegação de que plataformas como YouTube, Instagram, Snapchat e TikTok usam mecanismos projetados para prolongar o tempo de uso e estimular comportamento compulsivo.

Entre os recursos citados estão a rolagem infinita e o autoplay, que mantêm a exibição de conteúdo de forma automática e contínua. Segundo o processo, esse tipo de estrutura teria contribuído para o vício do adolescente e para o agravamento de problemas emocionais.

De acordo com os autos, R.K.C. começou a usar redes sociais por volta dos 8 anos. A partir disso, teria desenvolvido dependência das plataformas, perdendo sono e enfrentando sintomas de depressão e ansiedade.

Caso faz parte de uma onda de milhares de ações contra redes sociais

A ação de R.K.C. é apenas uma entre milhares de processos semelhantes nos Estados Unidos. Segundo a Reuters, mais de 3,3 mil ações com alegações de vício em redes sociais estão em andamento na Justiça estadual da Califórnia. Além disso, outros 2,6 mil casos tramitam na esfera federal, movidos por indivíduos, distritos escolares, municípios e estados.

Esses processos acusam as plataformas de desenvolver produtos capazes de prender a atenção de crianças e adolescentes de maneira excessiva, priorizando engajamento e lucro em detrimento da segurança dos usuários mais jovens.

Primeiro julgamento terminou com condenação de Google e Meta

O caso de R.K.C. seria o segundo julgamento de uma série acompanhada pela juíza Carolyn Kuhl, da Corte Superior de Los Angeles. O primeiro terminou em março deste ano e teve resultado desfavorável para as big techs.

Na ocasião, uma jovem identificada como K.G.M. acusou YouTube e Instagram de manter plataformas intencionalmente viciantes para usuários jovens. O júri concluiu que as empresas foram negligentes e determinou que a *Meta pagasse US$ 4,2 milhões, enquanto o *Google foi condenado a pagar US$ 1,8 milhão. No início de junho, o pedido das empresas para anular o veredicto foi rejeitado.

Pressão judicial também cresce em escolas e estados americanos

A disputa não se limita a ações individuais. Um distrito escolar do *Kentucky, por exemplo, processou YouTube, Meta, Snap e TikTok, alegando que as plataformas ajudaram a agravar uma crise de saúde mental entre os alunos. Antes do julgamento, as empresas fecharam acordos que, somados, chegaram a *US$ 27 milhões.

Além disso, estados americanos também passaram a levar casos semelhantes aos tribunais. No *Novo México, a Meta foi condenada a pagar *US$ 375 milhões após um júri entender que a empresa induziu usuários ao erro sobre a segurança de suas plataformas para crianças, segundo a Reuters.

Debate sobre redes sociais e saúde mental deve ganhar força

Embora o YouTube tenha deixado esse processo específico, o acordo não reduz a pressão sobre as plataformas. Pelo contrário: o movimento reforça o tamanho da crise jurídica enfrentada pelas empresas de tecnologia diante de acusações relacionadas à saúde mental de jovens usuários.

As companhias negam as acusações e afirmam adotar medidas para proteger adolescentes em seus aplicativos. Ainda assim, o avanço de julgamentos, condenações e acordos milionários indica que o debate sobre vício digital, design persuasivo e segurança infantil deve continuar no centro das discussões sobre redes sociais nos próximos meses.