
Escassez de chips e dependência de celulares baratos pressionam resultados da fabricante chinesa
A Xiaomi atravessa um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos no mercado global de smartphones. Segundo um novo relatório divulgado pela Counterpoint Research, a fabricante chinesa sofreu a maior retração entre as cinco principais marcas do setor durante o primeiro trimestre de 2026.
De acordo com o levantamento, a companhia apresentou uma queda de 19% nos envios de celulares. Além disso, a receita anual da empresa também recuou 18%, cenário que evidencia uma desaceleração significativa nas operações globais da marca.
Especialistas apontam que o principal motivo para o desempenho negativo está relacionado à forte dependência da Xiaomi dos segmentos de entrada e intermediário. Atualmente, essas categorias enfrentam dificuldades devido à escassez mundial de chips DRAM, componente essencial para smartphones e dispositivos eletrônicos.
Ao mesmo tempo, a crescente demanda da indústria de inteligência artificial aumentou a pressão sobre a cadeia de suprimentos. Grandes empresas de tecnologia passaram a utilizar grandes volumes desses componentes em centros de dados e servidores avançados, reduzindo a disponibilidade para fabricantes de celulares.
Com isso, linhas populares como Redmi e POCO passaram por gargalos de produção. Consequentemente, diversos modelos registraram aumentos graduais nos preços em vários mercados internacionais. Ainda assim, a América Latina foi apontada como a única região em que os dispositivos mantiveram relativa estabilidade comercial.
Apesar do cenário negativo, o Redmi A5 conseguiu se destacar globalmente. O aparelho entrou para a lista dos dez smartphones mais vendidos do mundo, ocupando a décima posição. Além disso, o modelo foi o único dispositivo fora dos ecossistemas Apple e Samsung presente no ranking.
Apple amplia liderança global no setor premium
Enquanto a Xiaomi enfrentou dificuldades, a Apple apresentou um crescimento expressivo no mercado internacional. A empresa registrou alta de 22% na receita anual e, pela primeira vez, liderou o mercado global de envios durante um primeiro trimestre, alcançando 21% de participação.
Segundo a Counterpoint Research, a forte procura pelos modelos iPhone 17 e iPhone 17 Pro Max impulsionou o preço médio de venda da fabricante em 11%. Dessa forma, a marca conseguiu ampliar sua rentabilidade mesmo diante do aumento nos custos de produção.
Além disso, a Apple manteve preços relativamente estáveis em diversos mercados. A estratégia foi considerada eficiente porque a empresa absorveu parte das pressões financeiras geradas pela alta nos componentes eletrônicos.
O iPhone 17 foi apontado como o smartphone mais vendido do planeta. Logo atrás apareceram as variantes iPhone 17 Pro Max e iPhone 17 Pro, consolidando o domínio da marca no segmento premium.
Samsung fortalece catálogo e amplia receita anual
A Samsung também apresentou resultados positivos durante o período analisado. A fabricante sul-coreana permaneceu na segunda colocação global em receita e volume de envios, além de registrar crescimento anual de 4% no faturamento.
Para fortalecer sua posição no mercado, a companhia reorganizou o portfólio com foco na linha Galaxy S26. Modelos com menor capacidade de armazenamento foram removidos gradualmente, embora reajustes nos preços tenham sido aplicados em vários países.
O Galaxy A07 4G tornou-se o celular Android mais vendido do mundo. Paralelamente, o Galaxy S26 Ultra superou as expectativas da empresa ao registrar números de pré-venda maiores que os do modelo anterior.
Mercado de smartphones muda foco para aparelhos mais caros
O relatório também revelou que o mercado global de smartphones movimentou cerca de 117 bilhões de dólares no período analisado. Isso representa um crescimento anual de 8% na receita total da indústria.
Entretanto, embora o faturamento tenha aumentado, o volume de envios caiu globalmente. Os altos custos de componentes e a limitação na oferta de memórias continuam afetando a produção em larga escala.
Além disso, o preço médio dos smartphones cresceu 12% e atingiu o recorde de 399 dólares. Esse movimento mostra que a indústria está migrando de uma estratégia baseada em volume para um modelo focado em valor agregado.
Portanto, fabricantes passaram a priorizar dispositivos premium e tecnologias avançadas. Programas de troca, financiamentos e ciclos de atualização mais frequentes continuam impulsionando a procura por celulares mais sofisticados.



