
O país nórdico lidera a lista dos países mais felizes do mundo, mas o destaque deste ano é a crescente parcela de insatisfação entre os jovens.
A Finlândia simplesmente continua no topo. O Relatório Mundial da Felicidade de 2026 foi divulgado e, pelo nono ano consecutivo, o país nórdico foi nomeado o mais feliz do mundo.
O relatório, publicado anualmente perto do Dia Internacional da Felicidade da Organização das Nações Unidas, classifica mais de 140 países com base em como as pessoas avaliam suas próprias vidas. Os dados vêm principalmente do Gallup World Poll, com os pesquisadores também analisando fatores como apoio social, expectativa de vida saudável, liberdade, generosidade e percepções de corrupção.
O país mais feliz do mundo
Mais uma vez, a Finlândia ocupa o 1º lugar, seguida por um grupo já familiar de países: Islândia (2º) e Dinamarca (3º), com Suécia (5º) e Noruega (6º) mantendo seu forte desempenho.
Os finlandeses relataram uma pontuação média de avaliação de vida de 7,764 em 10, bem à frente da maioria dos outros países.
O domínio contínuo dos países nórdicos não é novidade: o top 10 deste ano é semelhante aos rankings anteriores de 2025, 2024, 2023, 2022, 2021, 2020 e 2019. Mas o relatório sugere que seu sucesso vai além das explicações usuais de riqueza ou sistemas de bem-estar social. Confiança social, instituições fortes e senso de comunidade desempenham um papel importante na forma como as pessoas avaliam suas vidas.
“Quando se trata de felicidade, construir o que é bom na vida é mais importante do que encontrar e corrigir o que é ruim”, disse John F. Helliwell, ededitor fundador do relatório, em comunicado. “Ambos são necessários, agora mais do que nunca.”
Outros países felizes
A Costa Rica é um dos destaques deste ano, subindo para a 4ª posição, seu melhor resultado da história e um momento importante para a América Latina. …
Enquanto isso, a Suíça retorna ao top 10 na 10ª posição após ter ficado de fora no ano passado.
Em outros lugares, avanços contínuos de países como Kosovo (16º), Eslovênia (18º) e República Tcheca (20º) apontam para uma convergência mais ampla nos níveis de felicidade entre a Europa Central e Oriental e a Europa Ocidental.
Ao mesmo tempo, o ranking evidencia uma ausência notável: pelo segundo ano consecutivo, nenhum país de língua inglesa aparece no top 10, com apenas metade deles figurando entreos 20 primeiros. A Nova Zelândia ocupa o 11º lugar, seguida por Irlanda (13º), Austrália (15º), Estados Unidos (23º), Canadá (25º) e Reino Unido (29º).
Países afetados por conflitos continuam nas últimas posições. Em 2026, o Afeganistão é novamente o país mais infeliz do mundo, ocupando o último lugarocupando o último lugar. Serra Leoa (146º) e Malawi (145º) completam a lista dos menos felizes.
Felicidade nos Estados Unidos
Nem todos os países estão evoluindo na direção certa. Os Estados Unidos ocupam a 23ª posição este ano — uma colocação acima em relação ao ano passado, mas ainda parte de um declínio de longo prazo que já dura mais de uma década.
Um fator-chave por trás dessa queda: os jovens americanos. Segundo o relatório, a satisfação com a vida entre pessoas com menos de 25 anos nos EUA — assim como no Canadá, Austrália e Nova Zelândia — caiu significativamente na última década.
O mais marcante é que essa tendência não é global. Na maior parte do mundo, os jovens estão, na verdade, relatando níveis mais altos de bem-estar do que no passado.
“A maioria dos jovens do mundo está mais feliz hoje do que há 20 anos,e essa é uma tendência que merece atenção”, afirmou Jon Clifton, CEO da Gallup, em comunicado.
Essa divergência entre países de língua inglesa e o restante do mundo é uma das descobertas mais importantes do relatório deste ano.
Tendências da felicidade
Um dos principais focos do relatório de 2026 é o papel das redes sociais na formação do bem-estar, especialmente entre os jovens.
Os resultados são complexos. O uso moderado de redes sociais (menos de uma hora por dia) está associado a níveis mais altos de bem-estar do que a ausência total de uso. Já o uso intenso está ligado a menor satisfação com a vida, especialmente entre adolescentes.
E nem todas as plataformas são iguais.Plataformas que enfatizam conexão social tendem a ter associação positiva com a felicidade.Em contraste, aquelas baseadas em feeds algorítmicos e conteúdo de influenciadores estão mais frequentemente ligadas a resultados negativos, incluindo aumento do estresse e comparação social.
“As evidências globais deixam claro que as relações entre uso de redes sociais e nosso bem-estar dependem fortemente de quais plataformas usamos, quem as utiliza e como, além do tempo de de uso”, disse Jan-Emmanuel De Neve, editor do relatório, em comunicado. “O uso intenso está associado a bem-estar muito menor, mas aqueles que evitam deliberadamente as redes sociais também parecem perder alguns efeitos positivos.”
O impacto também varia por região. Em países de língua inglesa e na Europa Ocidental, o uso intenso de redes sociais está mais fortemente associado à queda no bem-estar r. Em outras partes do mundo, incluindo a América Latina, essa relação costuma ser mais positiva.
Felicidade: um quadro global complexo
Se há uma conclusão deste relatório, é que não existe uma única explicação para a felicidade — nem para sua queda.
Mesmo quando as redes sociais desempenham um papel, elas são apenas parte de um quadro muito maior.Fatores como conexão social e senso de pertencimento parecem ter influência ainda mais forte sobre como as pessoas se sentem em relação às suas vidas.
Na verdade, o relatório sugere que melhorar essas conexões no mundo real pode ser muito mais importante do que simplesmente reduzir o tempo de tela.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores alertam contra simplificações excessivas dos dados.A relação entre tecnologia e bem-estar depende de como ela é usada, por quem e do contexto social mais amplo.
Ranking: os países mais felizes do mundo
- Finlândia
- Islândia
- Dinamarca
- Costa Rica
- Suécia
- Noruega
- Países Baixos
- Israel
- Luxemburgo
- Suíça
- Nova Zelândia
- México
- Irlanda
- Bélgica
- Austrália
- Kosovo
- Alemanha
- Eslovênia
- Áustria
- República Tcheca
- Emirados Árabes Unidos
- Arábia Saudita
- Estados Unidos
- Polônia
- Canadá



