
Novo mapa revela que o satélite natural encolhe lentamente e cria estruturas semelhantes a rugas
Um novo estudo revelou um fenômeno curioso na superfície da Lua: o satélite natural da Terra está encolhendo gradualmente, processo que provoca o surgimento de pequenas cristas e deformações na crosta, deixando o terreno com aparência semelhante a uma uva passa enrugada.
A descoberta surgiu após pesquisadores do Museu Nacional do Ar e Espaço produzirem o primeiro mapa global dessas estruturas geológicas presentes nos chamados “mares” lunares, grandes planícies escuras formadas por antigas erupções vulcânicas.
Além disso, as análises indicam que essas formações são geologicamente jovens, o que demonstra que a Lua continua passando por mudanças estruturais mesmo bilhões de anos após sua formação.
Estruturas surgem por compressão da crosta lunar
Para compreender o fenômeno, os cientistas analisaram diferentes estruturas presentes na superfície lunar.
Embora a Lua não possua placas tectônicas como a Terra, a crosta do satélite ainda sofre compressões internas. Esse processo cria formações geológicas específicas, como as chamadas escarpas, que aparecem quando a superfície é comprimida e parte do material rochoso é empurrada para cima.
Essas escarpas se formaram ao longo de bilhões de anos nas planícies da Lua e representam sinais claros de atividade tectônica no satélite.
No entanto, os pesquisadores também observaram outro tipo de estrutura: pequenas cristas conhecidas como SMRs (Small Mare Ridges), que aparecem apenas nos mares lunares.
Novo estudo identificou mais de mil estruturas
Para investigar melhor essas formações, a equipe analisou catálogos e imagens detalhadas da superfície lunar.
Durante o estudo, os pesquisadores identificaram 1.114 novos segmentos dessas cristas no lado da Lua voltado para a Terra.
Além disso, os dados indicam que essas estruturas possuem, em média, 114 milhões de anos, idade considerada recente em termos geológicos.
Segundo o pesquisador Tom Watters, as descobertas mostram que tanto as escarpas quanto essas cristas surgem a partir do mesmo processo de contração da crosta lunar.
Essa conclusão reforça a ideia de que a Lua continua passando por mudanças internas.
Contração da Lua pode provocar “terremotos lunares”
Outro ponto importante envolve a atividade sísmica no satélite.
Se as cristas surgem por compressão da crosta, então regiões onde essas estruturas aparecem também podem registrar “lunamotos”, nome dado aos terremotos lunares.
Portanto, essas áreas podem apresentar atividade geológica mesmo em regiões aparentemente estáveis das planícies.
Essa informação ajuda cientistas a compreender melhor a dinâmica interna da Lua e também a prever possíveis riscos em futuras explorações.
Descoberta ajuda missões futuras à Lua
O novo estudo também possui importância estratégica para missões espaciais.
Compreender a tectônica lunar permite identificar áreas com maior atividade sísmica, o que pode influenciar diretamente o planejamento de futuras bases e operações na superfície do satélite.
Segundo o pesquisador Cole Nypaver, o momento atual é extremamente promissor para a ciência lunar.
Nos próximos anos, missões do programa Artemis devem trazer uma grande quantidade de novos dados sobre o satélite.
Assim, uma compreensão mais detalhada da atividade geológica da Lua pode aumentar a segurança e o sucesso das futuras missões tripuladas.



