
Aplicativo de mensagens passa a concentrar operações de cibercrime que antes aconteciam na dark web
O Telegram passou a ocupar um papel cada vez mais relevante no universo do cibercrime. Segundo pesquisadores da CYFIRMA, hackers utilizam o aplicativo para vender acessos corporativos, bases de dados roubadas e até assinaturas de softwares maliciosos.
Anteriormente, esse tipo de atividade ilegal acontecia principalmente em fóruns escondidos na dark web. Entretanto, criminosos começaram a migrar para plataformas mais acessíveis e rápidas, o que transformou o Telegram em um ambiente estratégico para esse tipo de comércio.
Além disso, a facilidade de criar grupos privados, canais e bots automatizados contribuiu para que operações criminosas se expandissem dentro do aplicativo.
Telegram vira “mercado digital” para crimes virtuais
De acordo com os pesquisadores, muitos grupos funcionam como verdadeiros centros de comércio ilegal dentro da plataforma. Nesse ambiente, criminosos oferecem diferentes tipos de serviços e produtos digitais ligados a ataques cibernéticos.
Entre as atividades mais comuns, destacam-se:
- Venda de credenciais corporativas roubadas
- Comercialização de bases de dados vazadas
- Assinaturas de malware como serviço (MaaS)
- Distribuição de ferramentas para ataques digitais
Além disso, bots automatizados desempenham um papel essencial nessas operações. Esses programas conseguem localizar senhas roubadas, processar pagamentos e entregar arquivos maliciosos em poucos segundos.
Dessa forma, o Telegram acaba funcionando como uma espécie de “shopping center automatizado” do crime digital, onde tudo ocorre de forma rápida e organizada.
Bots facilitam golpes e ataques ransomware
Outro fator que impulsiona o crescimento dessas redes criminosas envolve o uso intensivo de automação. Os bots criados por hackers executam diversas tarefas que simplificam a atuação dos golpistas.
Por exemplo, eles podem:
- Buscar credenciais vazadas em grandes bancos de dados
- Processar pagamentos de serviços ilegais
- Distribuir kits de malware
- Gerenciar assinaturas de ferramentas de ataque
Consequentemente, criminosos conseguem lançar campanhas de ransomware, invasões corporativas e fraudes digitais com mais eficiência.
Além disso, alguns grupos utilizam o próprio Telegram como central de suporte, oferecendo orientações para outros criminosos aplicarem golpes e até recrutando novos participantes para suas operações.
Plataforma colabora com autoridades, mas desafio continua
Diante do crescimento dessas atividades ilegais, o Telegram informou que tem aumentado a colaboração com autoridades policiais. A empresa confirmou que o número de dados de usuários compartilhados com investigações cresceu nos últimos meses.
Somente nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 900 solicitações oficiais foram atendidas, o que resultou na análise de dados ligados a mais de 2 mil contas.
Mesmo assim, especialistas apontam que essa cooperação ainda não consegue conter totalmente a expansão dos grupos criminosos. Isso acontece porque novas comunidades surgem rapidamente, muitas vezes migrando para outros canais ou criando sistemas de backup para preservar suas operações.
Portanto, o crescimento do cibercrime dentro de aplicativos de mensagens mostra que o combate a essas redes exige estratégias mais amplas, que vão além da investigação após os ataques.



