Falha no Chrome permitia que extensão falsa usasse Gemini para acessar arquivos do PC

Vulnerabilidade corrigida pela Google envolvia painel Gemini Live e escalada de privilégios
Pesquisadores da Unit 42, divisão de inteligência da Palo Alto Networks, identificaram uma vulnerabilidade crítica no Google Chrome que permitia a criminosos digitais escalar privilégios e acessar arquivos do sistema por meio de extensões maliciosas.
A falha, catalogada como CVE-2026-0628 na base do National Institute of Standards and Technology (NIST), afetava versões anteriores à 143.0.7499.192 do navegador. A Google corrigiu o problema em janeiro, após receber o relatório técnico.
Problema envolvia WebView e o painel Gemini Live
Segundo Gal Weizman, pesquisador responsável pela descoberta, a brecha explorava falhas na aplicação das políticas da tag WebView dentro do navegador. Um invasor precisava convencer o usuário a instalar uma extensão aparentemente inofensiva. A partir disso, ele conseguia injetar scripts ou código HTML em páginas privilegiadas do sistema.
O risco aumentou após a integração do Gemini ao painel lateral do Chrome, recurso conhecido como Gemini Live. O componente passou a operar por meio da URL interna chrome://glic, baseada em WebView, o que abriu uma nova superfície de ataque.
Como resultado, a extensão maliciosa podia assumir controle do painel e explorar permissões elevadas do navegador.
Ataque permitia acesso a câmera, microfone e arquivos locais
De acordo com o relatório técnico, o ataque possibilitava:
- Escalada de privilégios dentro do navegador
- Acesso à câmera e ao microfone do computador
- Captura de telas de sites visitados
- Leitura de arquivos locais armazenados na máquina
Os pesquisadores apelidaram a vulnerabilidade de “Glic Jack”, referência a “Gemini Live in Chrome hijack”. O nome destaca o sequestro do painel de IA integrado ao navegador.
Integração criou nova superfície de risco
Weizman explicou que a inclusão de um novo componente em um contexto de alto privilégio pode introduzir falhas lógicas inesperadas. Embora extensões interajam com páginas da web de forma comum, a possibilidade de influenciar diretamente um componente nativo do navegador representa um risco muito mais grave.
Além disso, ataques de canal lateral e manipulação de componentes internos ampliam o impacto potencial da exploração.
Atualização elimina a vulnerabilidade
A Google liberou correção para o problema na versão 143.0.7499.192 do Chrome. Portanto, usuários que mantêm o navegador atualizado já contam com proteção contra essa falha específica.
Mesmo assim, especialistas recomendam cautela ao instalar extensões. Antes de adicionar qualquer complemento ao navegador, vale verificar avaliações, permissões solicitadas e a reputação do desenvolvedor.



