Terça-feira, Fevereiro 24, 2026
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Crise interna no Xbox: saída de liderança expõe tensão nos bastidores

Mudanças na divisão de games da Microsoft revelam insatisfação com gestão recente

A aposentadoria de Phil Spencer e a saída de Sarah Bond da liderança do Xbox surpreenderam o mercado na última sexta-feira (20). Logo depois, a Microsoft confirmou Asha Sharma como nova responsável pela divisão de games.

No entanto, relatos de bastidores indicam que a transição pode ter sido mais turbulenta do que parecia. O jornalista Tom Warren, do The Verge, conversou com funcionários e ex-funcionários da empresa que apontaram instabilidade na gestão de Sarah Bond.

Promoção após aquisição bilionária

Sarah Bond assumiu a presidência do Xbox em outubro de 2023, pouco depois de a Microsoft concluir a compra da Activision Blizzard por US$ 68,7 bilhões. A negociação enfrentou forte resistência de órgãos reguladores, como a Competition and Markets Authority e a Federal Trade Commission.

Segundo relatos, Bond teve papel relevante na aprovação do acordo e passou a representar publicamente a marca Xbox com mais frequência.

Entretanto, após sua promoção, executivos importantes deixaram a companhia. Entre eles estava Kareem Choudhry, responsável por iniciativas como o Xbox Cloud Gaming e o programa de retrocompatibilidade. Ele saiu seis meses depois da mudança na liderança, encerrando uma trajetória de 26 anos na empresa.

Além disso, o então diretor de marketing, Jerret West, também deixou o cargo. Com isso, a equipa de marketing passou a responder diretamente a Bond.

Estratégia questionada internamente

Após as mudanças, o Xbox adotou uma comunicação mais voltada a serviços e à estratégia multiplataforma. A campanha “Isso é um Xbox” passou a destacar dispositivos como celulares, tablets e Smart TVs com suporte ao Xbox Cloud Gaming, reduzindo o foco no console tradicional.

De acordo com Tom Warren, a estratégia gerou desconforto interno e confusão na comunicação externa. Além disso, a divisão registrou quedas na receita de hardware por três anos fiscais consecutivos. Mesmo com um forte calendário de lançamentos, o cenário pode se repetir em 2026.

Fontes ouvidas pelo jornalista afirmam que muitos colaboradores consideravam difícil trabalhar com Sarah Bond. Segundo esses relatos, a executiva teria centralizado decisões e limitado questionamentos à sua visão estratégica. Ainda assim, colegas reconhecem sua habilidade em firmar parcerias com estúdios e empresas do setor.

Funcionários reagem à mudança

A ausência do nome de Sarah Bond na mensagem oficial sobre a transição chamou atenção. Comunicados publicados pela Microsoft destacaram declarações de Satya Nadella, Matt Booty, Asha Sharma e Phil Spencer, mas praticamente ignoraram a ex-presidente do Xbox.

Segundo o The Verge, a decisão de promover Asha Sharma em vez de Bond partiu da própria Microsoft. Funcionários atuais e antigos relataram alívio com a mudança.

Além disso, o anúncio teria sido antecipado após vazamentos à imprensa, incluindo apuração da IGN. Parte da equipa interna descobriu a saída dos executivos pela mídia, o que aumentou o desconforto.

Possível “reset” na estratégia

Com a nova liderança, a Microsoft avalia rever a estratégia adotada nos últimos anos. Isso pode significar um retorno ao foco no console ou ajustes na abordagem multiplataforma.

Asha Sharma declarou que trabalhará para promover “o retorno do Xbox”. No entanto, sua experiência anterior ligada à Inteligência Artificial gerou preocupação entre parte da comunidade e de funcionários.

Em comunicado, Sharma garantiu que a empresa não buscará apenas eficiência de curto prazo nem substituirá criatividade por soluções automatizadas. Segundo ela, os jogos continuarão sendo arte criada por pessoas, com suporte da tecnologia.

Por fim, analistas apontam que a Microsoft vê o Xbox como uma de suas marcas mais fortes voltadas ao consumidor final. Por isso, as próximas decisões estratégicas podem definir o futuro da divisão no mercado global de games.

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